Fusão Metro Porto/STCP - reacções de Valentim Loureiro‏.

Antecipando o próprio Governo, o anúncio da fusão das empresas públicas de transportes do Porto e de Lisboa foi feito na “TVI24”. E só no dia seguinte [7 de Outubro] o Plano Estratégico de Transportes foi formalmente apresentado. No entanto, e até essa altura, as empresas envolvidas ainda nem tinham sido consultadas. Valentim Loureiro, Presidente da Câmara Municipal de Gondomar e da Assembleia Geral da “Metro do Porto”, lamentou esta atitude. “Não houve o mínimo de respeito para com a empresa! Estas medidas, que até podem ser válidas, deveriam ter sido previamente anunciadas. E não se ter conhecimento das mesmas por um qualquer comentador televisivo...”, lamentou Valentim Loureiro.



O Conselho de Ministros tinha aprovado, no dia 6 de Outubro, “as principais linhas no sector das infra-estruturas e transportes” para os próximos quatro anos. Documento que só seria apresentado no dia seguinte, no Parlamento, pelo ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira.

Para Valentim Loureiro, Presidente da Câmara Municipal de Gondomar (e também da Assembleia Geral da “Metro do Porto”), esta fusão é “perfeitamente admissível”. Mas, complementa, “por incrível que pareça, tomei conhecimento desta vontade do Governo por uns comentários que vi e ouvi num canal televisivo”. “Não compreendo como é que o Governo deixa ‘cair’ essa notícia para um comentador, sem um mínimo de consideração e falando previamente com a Junta Metropolitana do Porto, com a ‘Metro do Porto’ e com as autarquias que são accionistas da empresa, entre elas a Câmara de Gondomar”, lamentou Valentim Loureiro. Tanto mais que, complementou, havia o compromisso do Ministro Álvaro Santos Pereira em, a curto prazo, ter uma reunião com a Junta Metropolitana.

Valentim Loureiro esclarece que não está contra a possível fusão. O que não aceita, e lamenta, é que o Governo dê a conhecer estas notícias da forma menos adequada. Quanto à gestão da “Metro do Porto”, e não obstante o valor do passivo, classificou-a como “positiva e equilibrada”. “O valor existente do passivo resulta da construção das linhas e dos tarifários sociais aplicados”, frisou Valentim Loureiro. E, aqui, criticou o Governo por não estar a cumprir com as indemnizações compensatórias previstas. Valentim Loureiro, recorde-se, foi Administrador da “Metro do Porto” durante dois anos e Presidente do Conselho de Administração outros seis.

O Plano Estratégico de Transportes avança em 2012 e vai fundir “Metro de Lisboa” com a “Carris” e o “Metro do Porto” com a “STCP”. O objectivo é cortar na despesa, sobretudo nos custos administrativos. Nesse sentido, o Governo pretende seguir a via das fusões. Ainda segundo o previsto, parte das operações das empresas de transportes públicos será entregue a privados. Este Plano Estratégico prevê, também, a redução nos elementos dos conselhos de administração das empresas públicas do sector.

O Plano Estratégico dos Transportes é uma das medidas que constam no Memorando de Entendimento assinado com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, para a definição da política e das orientações do Governo para o sector durante a legislatura que termina em 2015.

Irão acontecer mudanças no sector dos transportes em Portugal. O Governo pretende fundir metro e autocarros, em Lisboa e no Porto, e os barcos que ligam a capital à margem sul. A reestruturação do sector dos transportes foi anunciada mesmo antes de ser discutida (ou comunicada) às empresas envolvidas na questão.

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