Pai.

Pai,
Na casa que habitavas minha voz chama e não te encontra.
No teu quarto vou um beijo te dar, mas meus lábios não encontram teu rosto.
Nem o picar da tua barba, nem o teu bigode quando retribuías nossos beijos.
A tua voz eu ouço pela casa, assim como fora dela, mas olho e não te vejo.
No teu sofá não te encontro, quando era sempre nele que estavas, de onde nos falavas das tuas histórias de vida e dos teus conselhos que nos davas.
Choro quando assim é, como agora que escrevo.

Nos caminhos da rua que costumavas fazer, nos locais onde gostavas de parar para com os poucos amigos falar, eu vou e tu lá não estás, nem de lá saíste há pouco, nem nos desencontramos pois há muito que lá não vais, meu pai.
Na rua que caminhavas quando há farmácia ias, vou ao teu encontro, mas não te encontro, pois o desencontro nunca mais será um reencontro, pelo menos neste mundo.

Caminho, olho para o lado, vejo tanta gente, mas não te vejo a ti meu pai.
Porque não posso eu ir nesse caminho, te encontrar e tudo de um pesadelo não passar?
Como eu te queria encontrar, teu beijo te dar, tua barba sentir a picar, teu bigode a me beijar, tua voz a me consolar, seja com uma palavra amiga, ou com uma repreensão, como eu te quero encontrar.
Pai, dai do céu lê estas palavras e enxuga-me as lágrimas, pois esta a ser difícil, sem ti eu viver.

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